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Relacoes economicas entre o Brasil e a Russia

De carne a trigo, de aviões e energia a satélites e sondas espaciais, os dois países vivem momentos decisivos de aproximação econômica e política As boas relações entre Brasil e Rússia, porém, ainda não foram traduzidas em cifras. Em 2003, o comércio dos dois países chegou a cerca de US$ 2 bilhões. A meta de ambos é que se atinjam US$ 6 bilhões em três anos. "Não é possível que dois gigantes tenham conta de comércio neste patamar.

O potencial existe. O Banco Mundial indica que em 2003 a Rússia ocupou a 16ª posição no ranking das maiores economias, com Produto Interno Bruto (PIB) de US$ 433,5 bilhões. Estava uma posição abaixo do Brasil, que fechou o ano com PIB de US$ 492,3 bilhões. Recentemente, relatório do Goldman Sachs criou a sigla Bric, para designar os quatro países que serão mais fortes economicamente em quatro décadas: Brasil, Rússia, Índia e China. No caso do Brasil e da Rússia é importante preparar o terreno. O aumento do valor e a diversificação da pauta de comércio é um passo, mas primeiro é preciso buscar equilíbrio na conta de trocas. Hoje, a situação é favorável ao Brasil, que exportou US$ 1,5 bilhão em 2003 e recebeu US$ 555 milhões de importações russas.

Apesar da diferença, é possível verificar evolução da balança. De 1999 a 2003, a corrente comercial aumentou 136,5%. No ano passado, a Rússia ocupou a 14ª posição de maior destino das exportações brasileiras e a 19ªentre os fornecedores do Brasil. Os dados do primeiro semestre mostram posição idêntica, mas revelam balança menos distante do equilíbrio. As exportações do Brasil aumentaram 9,1%, com embarques de US$ 832 milhões, enquanto as vendas russas tiveram elevação de 85%, totalizando US$ 414 milhões.

O interesse maior está nos segmentos de carne, trigo e aeronáutica, envolvidos em questões particularmente sensíveis. A importância do item carne é fundamental na relação entre os dois países. A previsão é de que a conta de comércio cresça um pouco em relação aos anos anteriores. Desde 2003, está em vigor na Rússia a cota de 1,9 milhão de toneladas para a carne, dividida entre vários países fornecedores. Em primeiro lugar vêm os EUA, com uma reserva de 771 mil toneladas. O Brasil, enquadrado na categoria "outros", só obteve espaço por causa de problemas fitossanitários de fornecedores com cotas definidas. p> Autoridades russas dizem que as deliberações sobre a importação de carne e da venda de aviões são interdependentes. Se a Sukhoi vencer a licitação para os caças, o governo russo ofereceria ao Brasil pacote de US$ 3 bilhões, envolvendo transferência de tecnologia e redução nas tarifas de exportação para a Rússia. Além disso, a Embraer poderia ser beneficiada com a exportação de aviões para a Aeroflot, estatal de aviação.

A abertura do Brasil ao trigo russo está sendo negociada há anos e, por causa do embargo à carne, virou moeda de troca nas conversações entre os países. O Brasil propôs medida de certificação para habilitação do trigo russo. Apesar do cenário nebuloso, autoridades dos dois países mostram-se entusiasmadas com a possibilidade de diversificação da pauta de comércio. Um dos setores mais importantes é o de energia. Parte dos projetos implica a realização de investimento direto no Brasil, como aqueles em que a Gazprom, maior produtora de gás do mundo, se associaria à Petrobras. A estratégia da Petrobras na área de gás e energia prevê investimentos acima de US$ 3 bilhões. A empresa calcula que o mercado brasileiro de gás terá crescimento de 14,2% ao ano até 2010, o que exigirá infra-estrutura a ser construída para o setor ao longo do período. Em 2003, a produção de gás chegou a 30,7 milhões de metros cúbicos/dia. Nos próximos sete anos, deve-se alcançar o nível de 77,6 milhões de metros cúbicos/dia.

A Stroitransgaz é outra empresa russa que se prepara para participar de projetos no Brasil com a Petrobras. Programas conjuntos poderão levar à construção de até 6 mil quilômetros de sistemas de oleodutos, estações de compressores e outras estruturas para o setor de petróleo e gás. Na área petrolífera, a russa Zarubejneft deve participar da elaboração de projetos tecnológicos de exploração de campos de produção, perfuração de novos poços de petróleo e reparação dos existentes. Outra área que ganha destaque é a espacial. Os dois governos vão assinar acordo de US$ 800 milhões, a serem pagos, em maior parte, pelo Ministério da Ciência e Tecnologia brasileiro em seis anos. A questão espacial é estratégica para o Brasil, por que em 2010 expira o prazo para que o país instale satélite geoestacionário. Se o prazo não for aproveitado, o controle de vôos e das telecomunicações brasileiras poderá vir a ser realizado por satélites americanos.

Intercambio Comercial entre a Russia e o Brasil

 







   
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