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Moda Brasileira
Embora rápida e vertiginosa como amor de carnaval, a moda guarda lá suas permanências. A mais forte delas, desde o inglês Charles Worth inaugurando a alta costura na França, tem sido seus territórios de criação e inspiração para o resto do mundo: primeiramente, Paris, depois Londres, Milão e Nova York. Mais recentemente, nos anos 80, os japoneses marcaram posição no cenário internacional e, na virada do milênio, a grande novidade é a entrada do Brasil no fechado mundo da moda. Parece, desta vez, que não se trata de mais um caso de paixão passageira, mania de ocasião ou qualquer predileção fugaz.
Para o The New York Times, 2000 foi o ano da moda brasileira. E o sucesso permanece. Seria a força do acaso governando o aparentemente frívolo mundo das aparências em favor do Brasil? Pode ser. Mas não é nada desprezível a simultaneidade de fatores operando tanto cá como do lado de lá do Atlântico. Sem isso, a emergência da moda brasileira não teria passado de mais uma tentativa.
Nosso estilismo vive um momento bastante afirmativo no que diz respeito à identidade, criatividade, profissionalização e reconhecimento, tanto no país como fora dele. Por outro lado, a moda internacional, saturada, não mais se restringe ao circuito tradicional. Considerando uma coisa e outra, a chave do segredo pode estar em trilharmos os indicadores mundiais, a eles acrescentando uma mistura de tecidos, formas e doses generosas de sensualidade, cor e alegria, para obter ao final algo que seja a nossa cara. A partir de agora, a previsão é que surja mais e mais gente nova, e a moda estrangeira sirva tão somente como referência do que acontece lá fora.
São Paulo já foi considerado o túmulo do samba, não tem praia, o carnaval é tímido, mas nenhum outro lugar do país reúne tanta gente daqui e de outros cantos do mundo. A megalópole é uma constelação de culturas e guarda o traço de cidade frenética, que não pode parar. A imprensa mundial a tem tratado como a capital latino-americana da moda, e nessa parte do continente atualmente não existe evento que possa ser comparado ao São Paulo Fashion Week em matéria de afirmação estética e realização de negócios.
A era contemporânea da moda brasileira começa em 1994, com o Phytoeorvas Fashion, que mostrava a criação de novos estilistas. Dois anos mais tarde, uma transformação substancial se dá com o Morumbi Fashion, versão inicial do São Paulo Fashion Week. Esses movimentos já anunciavam o impulso que teria a moda brasileira. O Brasil passa a contar com um calendário de moda e os lançamentos deixam de ser isolados, ganhando unidade. Os estilistas abandonam a preocupação com acontecimentos estrangeiros e se ocupam mais do desenvolvimento de seu próprio trabalho. São Paulo, então, sagra-se pólo irradiador da moda do Brasil e da América Latina para o resto do mundo.
O calendário existe há cerca de cinco anos, mas só recentemente adquiriu dimensão internacional. O São Paulo Fashion Week possui duas edições anuais, quando oficialmente lança coleções de inverno e verão para milhares de compradores. O evento – realizado no suntuoso prédio da Fundação Bienal, situado no belíssimo parque Ibirapuera – recebe centenas de convidados e atrai a atenção da imprensa mundial especializada: nos corredores do São Paulo Fashion Week, podem ser vistos enviados de jornais e revistas como Le Figaro, L’Officiel e Visionaire (França); Dutch (Holanda); Dazed & Confuzed e Sunday Times (Inglaterra); Corriere della Sera (Itália); Harper’s Bazaar (México); e Vogue (Rússia).
Suzy Menkes, no International Herald Tribune, fala que "uma brisa latina sopra por entre a moda neste momento", invoca um maremoto chamado Alexandre Herchcovitch e atesta a hora de "silhuetas curvilíneas e de qualquer cor, desde que clara e exótica". David Shah, editor da prestigiosa ViewPoint, uma publicação sobre marketing, publicidade e moda, afirma em entrevista que "o Brasil é realmente o lugar para se estar no momento".
A boa fase da moda brasileira pode ser observada pelos atuais 25 cursos sobre o assunto e por empreendimentos como o Amni Hot Spot (considerado a evolução do antigo Phytoervas), que tem a finalidade de revelar a criatividade de jovens talentos do estilismo. Segundo a Associação Brasileira da Indústria de Confecção (ABIT), entidade responsável pela intermediação de interesses e demandas do segmento com o governo, só o setor têxtil faturou US$ 2 bilhões em 2000. No ranking nacional, é a segunda maior indústria do país e o quarto produtor mundial. A ABIT informa ainda que, em 2001, o setor gerou cerca de 20 mil postos de trabalho. A indústria têxtil e de confecção responde por quase 5% do produto interno bruto (PIB) do país e emprega 1,6 milhões de pessoas. O Brasil é o terceiro país na produção de malhas e o sétimo em fios e artigos confeccionados. Sua posição no comércio internacional, porém, ainda é acanhada: pouco mais de 0,2% do total das exportações e importações.
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